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Eu odeio matemática!

  • 9 de abr.
  • 2 min de leitura

Não sei vocês, mas eu escuto bastante esta frase e outras mais como:

“Eu nunca vou usar raiz quadrada!”

“Mãe, me fala quando você usou esse negócio?”

“Por que não pode usar calculadora?”

“Eu não aguento mais isso!!!”


Este último mês foi um verdadeiro desafio matemático (rs). Foram várias provas, muito estudo e bastante aprendizado, não só para ele, como também para mim.


Alguém já te contou que, mesmo sem problemas cognitivos e com QI dentro da média, uma criança com Paralisia Cerebral pode ter dificuldades com matemática?


Pois é. Faz muito pouco tempo que comecei a receber dicas sobre o tema. Sim, dicas — porque sabemos que nem todas as crianças são iguais, nem todo diagnóstico é o mesmo e nem sempre acontece o que é esperado.


Uma criança com Paralisia Cerebral pode ter mais dificuldade com matemática por causa da questão visuoespacial.


“Visuoespacial”, pelo que entendi, é a percepção que temos das coisas organizadas ao nosso redor — a capacidade de perceber formas, tamanhos, distâncias e direções (perto, longe, em cima, embaixo, girar peças...). Não estou dizendo que a dificuldade será a mesma em todos esses aspectos; ela pode aparecer de formas diferentes, ou nem aparecer, por isso, como sempre, precisa ser diagnosticada por uma profissional.


O que eu sei é que estudo com o Gabriel e preciso ensinar ou ajudar ele a entender o que o professor explicou. Nessas últimas semanas, isso foi bem difícil, porque eu aprendi de uma “forma” e percebi que ele não estava conseguindo entender nem a minha “forma”, nem a do professor.


Comecei então a buscar mais informações sobre como ajudá-lo a compreender as equações, por exemplo. Lendo vários artigos, vi que é importante materializar os números, dar exemplos concretos — e foi isso que tentei fazer.


Uma das dificuldades que ele tinha era com os números negativos. Para tentar materializar, expliquei que os números negativos eram buracos e os positivos, canetas. Assim, para calcular -5 + 7, ele dizia:

“Tenho cinco buracos. Coloco as canetas nos buracos, sobram duas canetas sem buraco. Então o resultado é +2.”


Não sei explicar exatamente o que aconteceu, mas sei que ele entendeu — e conseguiu recuperar a nota em matemática! Para ele ficou muito mais claro, e eu fiquei feliz por ter ajudado.


Falando agora parece tão simples, mas no dia a dia é tão difícil, né?!


Sei que existe uma dificuldade que eu não consigo compreender totalmente. Não dá para entrar na cabeça dele e ver como ele enxerga as coisas, e isso às vezes me faz sentir impotente.


Mas também sei que não sou a única, e que há desafios muito maiores que o meu. E sei, ainda, que tudo passa — e que uma dificuldade de hoje pode se tornar muito fácil daqui a seis meses.


Então, bora ver como fazer dar certo.

Boa semana pra nós!

Beijos




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